Agressão a professora

24/03/2008 Sem Comentários por
 

Tudo aconteceu no dia 12 de Março de 2008, na Escola Secundária Carolina Michaelis, no Porto.

Com o título «9º C em grande!» foi colocado no Youtube um vídeo filmado por um aluno com o seu telemóvel, e que mostra uma aluna a agarrar e a puxar o braço da professora de Francês por esta lhe ter tirado o telemóvel durante o decorrer da aula.


“Tenho a noção de que o que fiz está errado». Esta é a primeira reacção de Patrícia, a aluna da Escola Secundária Carolina Michaelis, no Porto, que, em plena sala de aula, protagoniza a luta com a professora de francês para recuperar um telemóvel que lhe tinha sido retirado pela docente. A aluna disse ainda estar «arrependida», mas alega que a professora implica com ela, «Já fui para a rua várias vezes».

«Isto também é mau para os meus pais», diz Patrícia, de 15 anos, que não esperava que o caso «ganhasse esta dimensão». E, talvez por isso mesmo, na altura não disse aos pais todos os pormenores do que se passou. A mãe terá sido chamada à escola, falou com a directora, e, explica a aluna, «disse-lhe que a professora me tinha sacado o telemóvel». Agora, consciente da gravidade da situação, Patrícia teme a «suspensão ou a expulsão da escola».

O caso passou-se na última aula de Francês do 2º período e foi tudo gravado por um dos alunos que colocou depois o vídeo no You Tube. A jovem conta a sua versão dos acontecimentos: «Era uma aula livre e a professora autorizou o uso do telemóvel e toda a gente os tinha em cima da mesa. Pedi a uma amiga para ouvir uma música no telemóvel, mas o som estava baixinho».

Como era também dia de entrega de testes, conta Patrícia, ao passar pela sua secretária, a professora tirou-lhe o telemóvel. E, a partir daí, gerou-se uma luta pela posse do telemóvel, com a aluna aos berros e a empurrar a docente. Enquanto isso, os outros estudantes riem-se e fazem comentários jocosos.

Opinião:

Fico parvo ao ver estas imagens. Se considerarmos que a escola Carolina Michaelis até é considerada uma das escolas menos problemáticas do Porto, então ainda mais perturbante se torna este caso. Se é assim nesta escola, como será nas escolas REALMENTE problemáticas? Quantos e quantos casos não ficarão no anonimato? Quantos professores e professoras não se sentirão ameaçados e, com medo de represálias, nem sequer apresentam queixa do sucedido aos orgãos escolares competentes?

O imbecil que filmou esta situação, ao invés de ganhar a glória que pretendia ao meter o vídeo no Youtube, acabou por ajudar a que fosse feita justiça e a revelar a fragilidade da educação que hoje muitos pais dão a muitos mais adolescentes. Não lhes incutem os valores basilares de respeito e civismo e depois temos situações absolutamente degradantes como esta.

Por outro lado este video demonstra a falta de autoridade que os professores hoje têm para exercer a sua profissão. E é bom perceber que falo de autoridade e não de autoritarismo, que são coisas bem distintas. Perceba-se que “rufias” nas escolas sempre houve em todos os tempos. Então qual é a diferença? Bem, a diferença reside no esvaziamento de poderes que feito aos professores e às escolas, em conjunção com a incapacidade patética de muitos pais educarem convenientemente os filhos. A reacção dos restantes alunos daquela turma perante a situação espelha bem a falta de moral e educação daqueles adolescentes. O já referido imbecil que filmou a cena toda, chega mesmo a exclamar, rindo-se: “olha, a velha vai cair!”, referindo-se à professora, quase no final do filme. Sintomático!!

Já deixei a escola em 1986, tive as minhas maluquices e houve alturas em que me “estiquei” nas brincadeiras dentro da sala de aulas, mas NUNCA faltei ao respeito a um professor! Se ele me chamava à atenção, eu calava-me e ficava sossegado no meu lugar (sim, em todas as situações devemos ter sempre consciência do nosso lugar). Nunca levantei a voz a um professor, nem nunca o agarrei ou provoquei fisicamente. Havia duas razões principais para isso: fui educado a respeitar os outros e sabia que o professor e a escola tinham autoridade para me complicar e bem a vida, através de sanções disciplinares e junto dos meus pais.

E, a acrescer a tudo isso, nessa altura não adiantava a nenhum estudante ir para casa queixar-se aos papás que a professora lhe tinha ralhado. Na melhor das hipoteses levava um grande raspanete dos pais, na pior (e condenável, por ser excessiva) levava um bom par de tabefes. Os pais exigiam aos filhos que respeitassem os outros tal e qual como lhes exigiam esse mesmo respeito para com eles.

Hoje em dia, qualquer puto que invente uma mentira sobre um professor, consegue que os pais corram para a escola a insultar o professor ou, como muitas vezes é noticiado, que agridam fisicamente esse professor. Chamam a isto educação? Deve ser a forma de se entenderem em casa, talvez. Os pais não vão às reuniões de pais nas escolas, não acompanham os filhos no seu desenvolvimento escolar, não se encontram periodicamente com os professores e depois acham-se com direito de os criticar.

É por essas e outras que sou ABSOLUTAMENTE CONTRA a avaliação dos professores pelos pais. A maior parte deles não tem capacidade para avaliar correctamente os filhos, quanto mais quem os ensina.

Ah, e não nos podemos esquecer das televisões sensacionalistas a explorar a situação e a dificultar ainda mais o papel dos professores e das escolas. Nunca mais me esqueço de uma reportagem de um dos nossos “magníficos” canais televisivos, em que uma mãe tinha feito uma peixeirada numa escola quelquer, porque a professora tinha puxado uma orelha à filha ou ao filho e a pergunta imediata do jornalista à mãe, foi: “Mas diga-me, a sua filha ficou traumatizada com a situação?”. É claro que a pobre alminha começou logo a dizer que a criança já não comia, já não dormia, que andava apavorada e coisas absurdas do género. Enfim……. às vezes que a minha mãe me puxou as orelhas, às vezes que levei reguadas na primária e às vezes que fiquei de castigo, então eu já devo ser um psicopata sem qualquer hipotese de recuperação, considerando a quantidade de situações traumatizantes que tive na vida.

Apenas para terminar, não posso deixar de referir que a afirmação da aluna de que a professora implica com ela porque, diz ela, “já fui para a rua várias vezes”, dá-me vontade de rir. Pelo seu discurso, alguém menos atento poderá concluir que as vezes que ela foi posta na rua devem ter sido todas por ela estar muito concentrada na aula, por não a perturbar, por ser bem comportada, enfim…. tudo razões mais do que óbvias para expulsar uma aluna de uma sala de aula.

Uma aluna que se põe a ouvir música de um telemóvel numa sala de aula, a professora e bem tira-lhe o telemóvel, a aluna faz a triste e lamentável figura que fez, admite publicamente que ocultou a verdade aos pais e no fim ainda argumenta toda ofendida que a música “estava baixinha”?!….. i rest my case.

Li uma vez uma frase que dizia: “Nunca se deve subestimar o poder da negação”. Esta aluna é bem exemplo disso.

PS: Acho muito bem que façam deste caso um exemplo disciplinar, assim como acho muito bem que ponham câmaras de filmar dentro das escolas e inclusivé dentro das salas de aula. Quem é bem comportado não teme medidas destas. A questão da privacidade não se põe, a escola é um lugar público, tal e qual como os centros comerciais, lojas, auto-estradas, etc, onde somos filmados sempre que lá vamos. E nunca ouvi ninguém a queixar-se disso alegando falta de privacidade.

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