Coisas de loiras
30 04 2008 Comments : No Comments »Categories : Humor
Crónica de Ricardo Araújo Pereira
"Os problemas dos clientes do IKEA começam no nome da loja. Diz-se «Iqueia»
ou «I quê à»? E é «o» IKEA ou «a» IKEA»? São ambiguidades que me deixam
indisposto. Não saber a pronúncia correcta do nome da loja em que me
encontro inquieta-me. E desconhecer o género a que pertence gera em mim
uma insegurança que me inferioriza perante os funcionários. Receio que
eles percebam, pelo meu comportamento, que julgo estar no «I quê à»,
quando, para eles, é evidente que estou na «Iqueia»."
"As dificuldades, porém, não são apenas semânticas mas também conceptuais.
"Há dias, comprei no IKEA um móvel chamado Besta. Achei que "É claro que há aspectos positivos: as tábuas já vêm cortadas, o que é "Por outro lado, há problemas de solução difícil. Os móveis que comprei "Que fazer, então? Cada cliente terá o seu modo de reagir. O meu é este: "E os suecos que montem tudo, se quiserem receber."
Toda a gente está convencida de que o IKEA vende móveis baratos, o que não
é exactamente verdadeiro. O IKEA vende pilhas de tábuas e molhos de
parafusos que, se tudo correr bem e Deus ajudar, depois de algum esforço
hão-de transformar-se em móveis baratos. É uma espécie de Lego para
adultos. Não digo que os móveis do IKEA não sejam baratos. O que digo é
que não são móveis. Na altura em que os compramos, são um puzzle. A
questão, portanto, é saber se o IKEA vende móveis baratos ou puzzles
caros. "
combinava bem com a minha personalidade. Todo o material de que eu
precisava e que tinha de levar até à caixa de pagamento pesava seiscentos
quilos. Percebi melhor o nome do móvel. É preciso vir ao IKEA com uma
besta de carga para carregar a tralha toda até à registadora. Este é um
dos meus conselhos aos clientes do IKEA: não vá para lá sem duas ou três
mulas. Eu alombei com a meia tonelada. O que poupei nos móveis, gastei no
ortopedista. Neste momento, tenho doze estantes e três hérnias. "
melhor do que nada. O IKEA não obriga os clientes a irem para a floresta
cortar as árvores, embora por vezes se sinta que não faltará muito para
que isso aconteça. Num futuro próximo, é possível que, ao comprar um
móvel, o cliente receba um machado, um serrote e um mapa de determinado
bosque na Suécia onde o IKEA tem dois ou três carvalhos debaixo de olho
que considera terem potencial para se transformarem numa mesa-de-cabeceira
engraçada."
chegaram a casa em duas vezes. A equipa que trouxe a primeira parte já não
estava lá para montar a segunda, e a equipa que trouxe a segunda
recusou-se a mexer no trabalho que tinha sido iniciado pela primeira.
Resultado: o cliente pagou dois transportes e duas montagens e ficou com
um móvel incompleto. Se fosse um cliente qualquer, eu não me importaria.
Mas como sou eu, aborrece-me um bocadinho. Numa loja que vende tudo às
peças (que, por acaso, até encaixam bem umas nas outras) acaba por ser
irónico que o serviço de transporte não encaixe bem no serviço de
montagem. Idiossincrasias do comércio moderno. "
para a próxima, pago com um cheque todo cortado aos bocadinhos e junto um
rolo de fita gomada e um livro de instruções. Entrego metade dos confetti
num dia e a outra metade no outro. "
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Fonte: via e-mail
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